Assim como eu, muitos que lerão essa (ou outras) críticas sobre o remake de O Dia em que a Terra Parou, não assistiram ao original de 1951 – dirigido por Robert Wise – e talvez nem assistirão. Não que isso mude muitos as coisas, mas é bom lembrar que em remakes sempre temos as atualizações. E acredite, essas foram acertadas. Diferente de muitos outros remakes que vemos (e ouvimos falar), esse é um dos poucos que não causou muita desconfiança ou irritação aos fãs do original e isso se deve, com certeza, ao fato deles serem mais “maduros”. Ponto para o filme.
O maior desafio que o diretor Scott Derrickson (O Exorcismo de Emily Rose) e o roteirista David Scarpa tiveram era atualizar uma história conhecida e, por que não, irretocável sem fazer o filme cair na mesmice ou transformá-lo numa coisa sem graça. Manter o foco (ou problema, se preferir) do original era praticamente impossível, já que o medo que assombrava o planeta na década de 50 era as tais bombas atômicas, explosões nucleares… Mesmo que o mundo ainda tenha medo disso hoje, já é um problema vista de uma forma mais “natural”. Então o que fazer? O que mais se ouve falar na TV, jornais e revistas é a questão ambiental, algo que tem atraída MUITO a atenção de roteiristas de filmes de ficção científica e terror – e é também o que atrai Klaatu à Terra.
A presença de Klaatu, que se assemelha muito a forma humana, não deveria ser assustadora, mas uma reação violenta ao seu personagem desencadeia um problema gigantesco. Literalmente. Gort, um robô gigante e indestrutível capaz de por fim na civilização, é ativado. Mas não se iluda com a aparência do gigante e com o seu poder destrutivo já que, no final das contas, o verdadeiro vilão dessa (e da nossa) história é a população, os seres humanos… Nós.
O roteiro de Scarpa foi praticamente escrito junto com o diretor e, como eu disse lá em cima, tem algumas diferenças do original. Além da substituição da questão nuclear, Helen (Jennifer Connelly) é bastante diferente da sua primeira versão. Sem muitos momentos de destaque, ela cumpre bem o seu papel. Jared Smith mais uma vez mostra que tem capacidade para seguir os passos do pai e conseguir destaque por mérito próprio sem depender de seu pai Will Smith. Já Keanu Reeves surpreende.
O ator está perfeito e impecável. Como em Matrix, a trilogia que o consagrou, Reeves pensa num reencontra com a ficção e seu modo “inexpressivo” o ajuda MUITO em O Dia em que a Terra Parou – vivendo um alienígena sem qualquer emoção. Não que ele seja assim o tempo todo, mas essa é uma realidade (talvez um dom?) que o ator convive. Foi a melhor escolha para viver Klaatu e isso é inegável.
O Dia em que a Terra Parou não é pra crianças. É um filme mais adulto e com aquela alfinetada ao nosso modo de vida. O foco principal também é bastante recente – a responsabilidade social e a questão ambiental – e isso faz do filme mais do que um simples remake. Como John Cleese bem lembra numa das melhores cenas do filme, é preciso que a raça humana chegue ao fundo do poço para mudar. Mas quando isso acontecer, haverá alguém capaz de deter o inevitável e salvar a todos?
O DIA EM QUE A TERRA PAROU (The Day The Earth Stood Still)
EUA – 2008
Direção: Scott Derrickson
Roteiro: David Scarpa, Edmund H. North (1951)
Elenco: Keanu Reeves, Jennifer Connelly, John Cleese, Jaden Smith, Kathy Bates, Robert Knepper, Jon Hamm, James Hong
Site Oficial: http://www.odiaemqueaterraparou.com.br
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1 Resposta em “[Crítica] O Dia em que a Terra Parou”:
Este filme é uma heresia ao bom cinema. Como um mínimo sinal de respeito deveriam dar um nome diferente e evitar qualquer menção de refilmagem. Roteiro ridículo, atuações medíocres, efeitos especiais totalmente não verossímeis, enfim, uma real catástrofe, diferentemente da mal encenada destruição que o filme mostra. E qual a mensagem? O original de Robert Wise tinha uma – antibelicista ainda que autoritária – e a violência seria utilizada como último recurso e não surge intencionada, gratuita e em grandes dimensões. E este? ambientalista em que? A moral da história, ridiculamente piegas, é de que o homem vai se redimir e não destruir o meio ambiente. A justificativa? Pergunte ao autor do roteiro ou diretor do filme, que deveriam ser sacrificados lentamente (comidos internamente por insetos metálicos, como sugerem) para não cometerem mais crimes como este contra a arte e bom gosto.
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