Ser diretor de cinema não é uma profissão, é praticamente um dom. Há quem aprenda as “regras” do cinema do modo mais fácil ou do mais difícil, mas não é o caso de Steven Spielberg. O cara não chegou onde chegou por acaso. Sua maneira de entender o que e como agradar o público é algo raro nos dias de hoje e o cara entende disso. E muito bem. Um exemplo disso é o filme Controle Absoluto onde Spielberg entregou tudo nas mãos do, até então, desconhecido diretor D.J. Caruso e… Bem, temos mais um filme que agrada.
O filme tem como protagonista o protegido de Spielberg, Shia LaBeouf. Protegido por que graças ao diretor, Shia foi apresentado ao mundo em Transformers (pegando a Megan Fox), Indiana Jones e o Reino da Caveira da Cristal (como o pimpolho do Dr. Jones) e agora, depois de Paranóia, ele tem a chance de trabalhar novamente como protagonista do filme ao lado do diretor Caruso e mostrar ao mundo hollywoodiano que é um ator que veio pra ficar.
Controle Absoluto? Bem, pra começar, o roteiro foi escrito por John Glenn, Travis Wright, Hillary Seitz e Dan McDermott e é inspirado numa idéia de Spielberg. O resultado disso? Um filme que consegue se manter graças a sua frenética correria e reviravoltas. LaBeouf é Jerry, um jovem que leva a vida como quer e trabalha com máquinas de xerox numa pequena lojinha chamada Copy Cabana. Seu irmão gêmeo, por outro lado, é um militar, um cidadão-modelo que acaba de falecer. Após o funeral de seu irmão, Jerry volta para sua caso onde tem sua virada virada de cabeça para baixo. Acusado, sem motivo algum, de terrorismo e uma voz feminina em seu celular lhe dando as coordenadas, Controle Absoluto começa o seu ritmo frenético.
Paralelamente a história de Jerry, o filme nos apresenta Rachel (Michelle Monaghan), uma mãe solteira cujo filho está pegando um trem junto da orquestra infantil com destino a Washington, onde tocará para o presidente dos EUA. Assim como Jerry e sem motivo aparente, Rachel se vê envolvida numa conspiração onde quem dá as ordens é a tal voz. Jerry e Rachel passam a serem perseguidos pela lei e a única opção que resta é seguir as ordens da misteriosa voz feminina que elas recebem pelo telefone.
Quem espera que esse thriller seja uma correria do começo ao fim, não vai ter muito do que reclamar. LaBeouf e Monaghan correm sem parar pra todo canto, e o diretor Caruso mostra que sabe filmar esse tipo de coisa. Sempre com a câmera bem próxima da ação o tempo todo dando ênfase no que os personagens sentem durante uma batida de carro, por exemplo, e não as rodopiadas que o carra dá. Graças a esse “close” que Caruso dá a Controle Absoluto, temos um filme interessante.
Mas nem tudo são flores. Se não fosse o competente diretor com sua câmera, o filme viraria um grande problema para ele. Basta o ritmo do filme dar um pausa ou até mesmo uma diminuida que percebemos como as informações são simplesmente jogadas ao espectador, com poucas informações ou mal encaixadas. O filme também não termina bem. O suspense se encerra de repente, sem muita desordem – levando em conta tudo o que aconteceu durante as incansáveis correrias de Jerry e Rachel. No fim das contas, Controle Absoluto é bom filme pra quem gosta de suspense sem muita história.
CONTROLE ABSOLUTO (Eagle Eye)
França – 2008
Direção: D.J. Caruso
Roteiro: John Glenn, Travis Wright, Hillary Seitz, Dan McDermott
Elenco: Shia LaBeouf, Michelle Monaghan, Rosario Dawson, Michael Chiklis, Anthony Mackie, Ethan Embry, Billy Bob Thornton, Anthony Azizi
Site Oficial: http://www.eagleeyemovie.com
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